Sexta Feira, 19 de Dezembro de 2014
   
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ENTREVISTA - JOSÉ JOÃO DA FONSECA - Presidente da Águas Guariroba

O portal de notícia Feito MS, reproduziu na integra a entrevista feita pelo jornalista de “A Crítica”, Fávio Paes, com o senhor JOSÉ JOÃO DA FONSECA - Presidente da Águas Guariroba, em 26 de Dezembro de 2010

Há 10 anos (dos 30 anos de concessão) responsável pelo serviço de água e esgoto em Campo Grande, a Águas Guariroba é hoje uma referência nacional em termos de investimentos e eficiência na gestão dos serviços oferecidos à população.

Atualmente a empresa tem como presidente o engenheiro José João da Fonseca, que durante três anos exerceu funções na área operacional da concessionária.
 
A empresa, que agora tem um único sócio controlador – o Grupo Equipav – está iniciando a segunda etapa de um ambicioso plano de investimentos, o Sanear Morena 2, que pretende levar o serviço de esgoto para mais 33 bairros da região do Imbirussu. Em 10 anos foram mais de R$ 500 milhões investidos em saneamento. A cidade que iniciou o século com menos de 20% de cobertura de esgoto, hoje disponibiliza saneamento para mais de 62% da sua população. Nesta entrevista o novo presidente da Águas Guariroba fala dos projetos e explica o reajuste de 8, 9% na tarifa que começa a valer em janeiro. O aumento provocou polêmica na Câmara e na Assembleia Legislativa. Eis os principais trechos da entrevista com José João da Fonseca.
 
A Crítica – O que muda na Águas Guariroba com sua confirmação no cargo de presidente da empresa?

José João da Fonseca –Vamos dar sequência ao que vem sendo feito em todas as áreas: operacional, comercial, obras, investimento e atendimento, seguindo as diretrizes da nossa holding. Em 2011 vamos procurar humanizar ainda mais o nosso atendimento ao cliente e os investimentos continuarão fortes em todas as áreas. O objetivo da empresa, junto com a agência de regulação e a prefeitura, é universalizar os serviços de água e esgoto. Nos próximos dois anos temos como desafio implantar 139 mil metros de rede de esgoto, que se somarão aos 700 mil metros de rede que acabamos de instalar. Trabalhamos para que a Águas Guariroba seja uma referência nacional em saneamento.
 
A Crítica – Em 10 anos de exploração dos serviços de água e esgoto na cidade, o que já se alcançou em termos de universalização?

José João da Fonseca – Chegamos a 99% de atendimento em termos de abastecimento de água. No caso do esgoto, saímos de 20% e já estamos na casa dos 62%. Em relação à água, temos hoje um nível de automação recorde em termos de Brasil. Uma automação diferenciada, inteligente, não é um mero sistema que liga e desliga. O sistema não deixa faltar água para a população, mantendo os níveis dos reservatórios, equalizando as pressões. Quando você tem uma pressão equalizada, há menos vazamentos na rua. Com menos vazamentos, há menos perdas, menos buracos abertos quando é preciso fazer este tipo de intervenção. Quando começamos a operação na cidade, Campo Grande tinha 56% de perdas. Ou seja, de cada 100 litros de água produzidos, mais da metade era desperdiçado. Hoje estamos na casa de 26% (a média nacional das empresas de saneamento é de 40%). Foi feito um investimento muito grande para reduzir as perdas, o que melhora a eficiência do serviço prestado.
 
A Crítica - O senhor poderia quantificar o valor do investimento feito em 10 anos de concessão?

José João da Fonseca – Neste período a empresa investiu R$ 517 milhões em valores atualizados. Tivemos o programa Sanear Morena I e agora temos o Sanear Morena II. Serão mais R$ 150 milhões ao longo dos próximos cinco anos, beneficiando 33 bairros na região do Imbirussu com rede de esgoto. Outro dado importante é que 100% do esgoto coletado por nós é tratado. É um diferencial, porque em cidades do porte de Campo Grande pra cima, há coleta, mas nem sempre se faz o tratamento. O esgoto é simplesmente despejado nos rios. Mesmo não estando no contrato de concessão, a Águas desativou cinco estações de tratamento de esgoto localizadas na região central que incomodavam as pessoas com o mau-cheiro. Foram desativadas as ETES Salgado Filho, Cabreúva, São Conrado, Aero Rancho e Mario Covas. No final de 2011 vamos desativar as estações localizadas nos bairros Coophatrabalho e Sayonara.
 
A Critica - Estes recursos são financiamentos, tem contrapartida do acionista?

José João da Fonseca: São basicamente financiamentos da Caixa e aporte de recursos do acionista.
 
A Crítica - A empresa tem investido muito no seu controle operacional?

José João da Fonseca: Sim, só no novo sistema de controle operacional foram investidos R$ 30 milhões. As duas principais adutoras – do Guariroba e do Lajeado – passaram por uma limpeza e receberam a mesma tecnologia usada pela Petrobrás, com equipamentos monitorados. A empresa montou um plano de contingência que reduz bastante o risco da falta de água. A população de Campo Grande é abastecida por 130 poços, 98 reservatórios, duas captações superficiais ( Guariroba e Lajeado). Desses 130 poços, 11 são super-poços, em que nós captamos água a 700 metros de profundidade no Aqüífero Guarani. Até há dois anos, quando a bomba de um desses poços parava por algum problema, a população desses bairros ficava no mínimo 15 dias com o abastecimento comprometido. Este problema acabou porque foi feita uma rede de contingenciamento que interliga os grandes centros produtores com estes bairros, onde não falta mais água por problemas de equipamentos, queima de bombas, por exemplo.
 
A Crítica - Outra inovação é a chamada planta de hipoclorito, produto químico usado no tratamento da água?

José João da Fonseca: Para evitar o manuseio com o gás cloro, que é muito tóxico, a empresa passou a produzir o próprio hipoclorito de que precisa para fazer o tratamento da água.
 
A Crítica - Como a empresa faz o controle da qualidade da água?

José João da Fonseca: É um controle rigoroso, 24h por dia. Para realizar o monitoramento são feitas em média mais de mil análises de amostras de água por dia e atendemos a todos os parâmetros exigidos pelo Ministério da Saúde. Primamos pela qualidade da nossa água e asseguramos que Campo Grande tem uma das melhores águas tratadas do Brasil. Nós temos também um laboratório de medidores, onde as pessoas podem acompanhar o trabalho e tirar dúvidas sobre o seu medidor. Nós conseguimos simular o vazamento que o consumidor tem na sua casa. Com isto, o consumidor pode entender melhor o quanto é importante evitar os vazamentos.
 
A Crítica - a empresa também tem uma preocupação ambiental?

José João da Fonseca: Temos uma atenção especial em relação ao meio ambiente. Nossas unidades são licenciadas, temos um programa de neutralização de carbono, temos um viveiro com capacidade para produzir 200 mil mudas por ano, que são usadas em nossas áreas de captação, além de serem distribuídas para a população. No entorno da Estação de Tratamento de Esgoto do Jardim Los Angeles, estamos implantando um parque destinado ao lazer da comunidade próxima. Na área externa está sendo construído um campo de futebol, um parque para as crianças, que em no máximo quatro meses serão entregues. Estamos também em conversação com a prefeitura e Sejusp para que a gente leve para lá a polícia comunitária. A empresa se dispõe a construir as instalações.
 
A Crítica - Esta população próxima a Estação Los Angeles, não vai sofrer também com o mau-cheiro?

José João da Fonseca: Não vai. A ETE Los Angeles foi construída numa área de 30 hectares, com conceitos técnicos que evitam qualquer tipo de odor. Há um monitoramento permanente para garantir que a população não tenha qualquer tipo de transtorno com odor.
 
A Crítica - O que muda na empresa com o fato de a partir de agora só ter um controlador, o Grupo Equipav, com a saída do Grupo Bertin?

José João da Fonseca: O Grupo Equipav é muito sólido, tem construtora, usinas, outras empresas de saneamento e rodovias. Para a Águas Guariroba não altera nada. A Águas Guariroba é uma empresa eficiente, que serve de referência para outras concessionárias. Mensalmente recebemos muitas visitas de outros estados, com técnicos interessados em conhecer a experiência da empresa.
 
A Crítica - Por que a tarifa de água terá um reajuste de 8, 9%, acumulando um aumento de 25, 82% nos últimos 12 meses, quando a inflação oficial está em torno de 5, 2%?

José João da Fonseca: Esse reajuste é referente a dois anos de INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) previsto no contrato de concessão. Vou explicar como isso aconteceu. Nosso contrato tem 21 marcos contratuais de risco, o que nos obriga a executar muitas obras. Em relação ao esgoto, por exemplo, nós já cumprimos a meta contratual de 2021. Este investimento na região do Imbirussu que nós vamos executar agora seria uma meta para 2026. Cumpridos esses marcos contratuais, a concessionária teria direito, em 2009, de equiparar a tarifa de esgoto à tarifa de água. Era de 70% em 2006 e deveria passar para 80% em 2007, para 90% em 2008 e 100% em 2009. A Agência de Regulação e a Prefeitura acharam por bem não fazer a equiparação. A negativa provocou um desequilíbrio econômico-financeiro no contrato e procurou-se então uma fórmula para tentar compensar isto. Foi autorizado então, em setembro de 2009, uma revisão na tarifa de 15, 53% para reequilibrar o contrato. Além disso, o prefeito atendendo a um pedido da Câmara Municipal, congelou por dois anos o reajuste do INPC a que temos direito. Então, esse reajuste que vai vigorar a partir de janeiro de 2011 leva em consideração o INPC dos dois últimos anos.
 
A Crítica - Por que a Águas Guariroba, o Ministério Público e a Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) iniciaram uma ofensiva contra os sistemas autônomos de abastecimento? Ninguém pode ter mais poço caseiro? E o serviço de esgoto, a adesão é obrigatória?

José João da Fonseca: Com a regulamentação da lei federal 11. 445, onde há rede pública dos serviços de água e esgoto, a conexão é obrigatória. A legislação proíbe ter poço em condomínio, empresa ou onde a rede de abastecimento está disponível. E onde houver a rede de esgoto, a conexão deve ser feita em 90 dias. O Ministério Público e a Semadur, visando a proteção da saúde dos cidadãos e a preservação do meio ambiente, estão agindo para atender a legislação vigente. A Águas Guariroba tem apoiado este trabalho. Você imagina que até pouco tempo atrás Campo Grande tinha 250 mil fossas. Agora imagina o risco dessas fossas contaminar os poços que existem por aí, já que eles não têm o mesmo controle de qualidade que os nossos poços. Isso é muito perigoso. É preciso mudar essa cultura, os locais onde há acesso do público (hotéis, universidades, hospitais, escolas particulares, restaurantes etc) não podem oferecer uma água sem controle de qualidade, que pode estar contaminada por nitrato, que não é removido pelo cloro. É um problema de saúde pública que expõe toda a coletividade.
 
A Critica - Qual é a sistemática de fiscalização desses poços?

José João da Fonseca: Para colocar em funcionamento um poço é preciso obter licença de operação do Estado. Onde há rede de água, o Imasul não pode dar este licenciamento. Em relação ao esgoto é a mesma coisa. O Ministério Público e a Semadur, preocupados com a saúde pública e a preservação do meio ambiente, estão notificando, multando e dando um prazo para que todos possam regularizar a situação junto à Águas Guariroba. Hoje nós temos 25 mil domicílios ainda não conectados à rede de esgoto em locais onde o serviço já é oferecido. É preciso mudar essa realidade, com saúde não se brinca.
 
A Crítica - Há indicadores que mostrem uma redução da incidência de doenças em função da ampliação da rede de esgoto?

José João da Fonseca: Sim. Nós apuramos junto à Secretaria de Saúde a incidência de doenças relacionadas à falta de saneamento. Em 2005, antes da rede de esgoto ser implantada através do Sanear Morena, nós tivemos 50 mil doentes. No ano passado, depois da ampliação da rede de esgoto, este número caiu para 38 mil. São quase 20 mil pessoas que deixaram de ficar doentes. Essas pessoas não precisaram faltar ao trabalho, à escola, nem gastar dinheiro com remédio. Não é aleatória a projeção da Organização Mundial da Saúde de que para cada R$ 1, 00 investido em saneamento, se economiza R$ 4, 00 em medicina curativa. A nossa missão, na Águas Guariroba, é prestar serviços de água e esgoto com qualidade, eficiência e respeito ao meio ambiente, contribuindo para a melhoria de vida e saúde da população. Tenho a certeza de que, com o esforço e a participação de todos, vamos fazer de Campo Grande uma cidade ainda melhor para vivermos e criarmos os nossos filhos.
 
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